"Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos e, esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta." Desconhecido

domingo, 21 de agosto de 2011

Síndrome do ninho vazio


Percebo que quando converso com as pessoas elas parecem não entender o que estou sentindo. Por tal razão fui procurar se era um sentimento só meu, ou outras pessoas já passaram por isto. Descobri então que estou com a Síndrome do ninho vazio.


Faz parte do processo natural da vida em família os filhos saírem de casa em determinado momento, seja porque vão casar, ou porque vão cursar a universidade em outra cidade, ou ainda na busca por mais independência. Em geral, isso é motivo de festa para os pais, pois começam a enxergar seus filhos como pessoas responsáveis e capazes de tocar suas próprias vidas.

Mas, às vezes, o que deveria ser motivo de alegria pode se transformar em pesadelo para os adultos. É a chamada síndrome do ninho vazio, causada quando a pessoa, em geral a mãe, vê seus filhos ganhando autonomia e saindo de casa. Por não conseguir lidar com isso, o sentimento de saudade acaba ganhando proporções prejudiciais à vida de quem fica.

A síndrome do ninho vazio acontece com pessoas que se vinculam muito aos filhos e criam, praticamente, uma rotina voltada para atender as necessidades deles. Quase como uma troca, a mãe faz tudo para e pelo filho, que retribui com companheirismo. "Em geral, essa síndrome costuma acontecer com mulheres, porque elas estão mais tempo em casa e, por isso, tem um vínculo mais estreito com os filhos", explica o psicólogo Sandro Caramaschi, da Unifesp. Além disso, as mulheres são três vezes mais propensas à depressão. Assim, um sentimento como a saudade pode desencadear sofrimentos mais intensos.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Durante muito tempo foi só a Rosa e o Príncipe



Certo dia, nasceu uma flor no planeta do pequeno príncipe. Era um rosa. E o principezinho logo tratou de cuidá-la; era tão linda!
“Assim, ela logo começou a atormentá-lo com sua doentia vaidade.”
” – À noite me colocarás sob uma redoma de vidro. Faz muito frio no teu planeta (…)”
“Então ela forçou a tosse para causar-lhe remorsos.”
O principezinho começou a duvidar de sua flor. Ficou entristecido, embora fosse sincero o seu sentimento. Teve grande vontade de partir. Preparou tudo. Conheceria outros planetas.
Na despedida, a flor disse que o amava e dispensou a redoma e os outros cuidados.
“É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas.”
Disse-lhe adeus, mas não chorou. Ela era muito orgulhosa!
Mais tarde, enquanto visitava outros  planetas, o príncipe pensou: “(…) Deveria tê-la julgado por seus atos, não pelas palavras. (…) Mas eu era jovem demais para saber amá-la”
Um geógrafo, que morava num dos planetas visitados pelo pequeno príncipe, explicou-lhe o significado da palavra “efêmera”. Ele então entendeu que sua flor era efêmera, que estava ameaçada de desaparecer, e que a tinha deixado sozinha.                     
Sentiu remorso.
Na Terra, encontrou um jardim cheio de rosas e sentiu-se triste por ter sido enganado por sua rosa. Ela havia lhe dito que ela era única no mundo… Mas existiam tantas! O pequeno príncipe pensou como a sua flor ficaria envergonhada ao ver todas aquelas outras rosas. Ela era como as outras!
Uma amiga raposa, a qual o príncipezinho cativara (criara laços), explicou-lhe que os laços criados é que tornavam os seres únicos.
“Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…”
A raposa ainda disse: ” só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.” E também: ” Tu te tornás eternamente responsável por aquilo que cativas.”
O pequeno príncipe pensou em sua rosa.
                                                 Trecho extraído do livro "O Pequeno Príncipe"

"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante"


"Eis o meu segredo. É muito simples:
só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos."



Como fazer ligações telefônicas Austrália - Brasil / Brasil - Austrália


Além de estar com celular bloqueado, não sabia como fazer as ligações...
Acho que estas informações podem ajudar:

Ligação do Brasil para Australia:
           Para celular: 00+operadora+61+nº do celular SEM O ZERO
           Telefone fixo: 00+operadora+61+( código da cidade )+nº do telefone
           Por telefonista: Ligar para 1800 881 550 e pedir uma ligação para Australia/Sydney

Ligação da Australia para o Brasil:
           A cobrar:1800 881 550+código da cidade+nº do telefone
           Para celular: +55+( DDD Brasil )+nº celular
           Telefone fixo: +55+( DDD Brasil )+fone da casa

Números úteis na Australia:
Departamento de Imigração: 131 881
Consulado do Brasil: (02) 9267 4414 Fax: (02) 9267 4419
Centro de Informação Turística de Sydney: (02) 9240 8500
Bracca - Conselho da Comunidade Brasileira: (02) 9290999

Sem conexão

Dia 16 e 17 foram dois dias complicados... 
 Meu celular que é  empresarial estava bloqueado para ligações internacionais e chamadas a cobrar e não tenho telefone fixo... Ai bateu o desespero total. Pedi o desbloqueio para operadora e fui comunicada que levava por volta de 24h para habilitar os serviços. Só restava aguardar o prazo. Minha saída era ligar o notebook e aguardar.
Improvisei uma mesinha ao lado da minha cama onde o Notebook fica ligado 24h e conectado no Skype, caso ele se comunique. 
Eram  10h da manhã (horário da Brasil)  do dia 16, quando Ricardo se comunicou, algumas horas após ele chegar na África do Sul. Rapidamente ele explicou que no Aeroporto não havia conexão com a internet e o celular sem sinal.  
O  slogan da TIM  "VIVER SEM FRONTEIRAS" é propaganda enganosa, pois  não se aplica na África do Sul nem na Austrália. Para passar as horas de espera entre um voo e outro, ele se hospedou em um hotel que tem no Aeroporto de Johannesburg, para quem está em trânsito.  Ele disse que estava bem, que o voo havia sido bom, mas que ficou triste quando não conseguia comunicação com nós. Neste momento eu já estava aos prantos...
Conseguir disfarçar meu desespero, foi impossível...
Ouvir a voz dele ajudou para que eu ficasse um pouco mais calma. Eu sabia que logo ele  embarcaria para Austrália e com certeza conseguiria se comunicar tranquilamente via internet. Uma exigência que ele  fez a agência de intercâmbio era que a casa de família (Homestay)  teria internet.
 O horário de chegada na Austrália era previsto para às 14:05h,  1:o5h aqui no Brasil do  dia 17/8 em ambos países. Entre Austrália e Brasil a diferença  de fuso é +13h. 
 As minhas madrugadas tem sido péssimas,  onde intercalo breves cochilos e lágrimas. Cada vez que eu levanto para ir ao banheiro tenho a impressão que ele no quarto dele dormindo. É como um pesadelo,  acordada. 
Passou o dia 17/8, sem eu conseguir falar com ele. Como eu sabia que era madrugada na Austrália esperei chegar a noite, pois devido a longa viagem ele devia estar muito cansado. 
 À noite eu precisava ir a aula e sem a minima vontade, fui.  
É impressionante que quando queremos não pensar em algo, tudo nos faz pensar. No caminho para a faculdade me deparei com um músico tocando um saxofone feito de madeira, em troca de moedas, que tocava o tema do  "Titanic",   primeiro filme que eu levei o Ricardo para assistir no cinema e que ele adorou.  A vontade era quebrar o sax na cabeça dele ou quem sabe na minha...
Na aula me esforcei para assimilar a matéria. 
No intervalo percebi que a namorada dele havia me ligado. Retornei a ligação e ela falou que o Ricardo havia ligado  a cobrar e disse  que a família a qual ele estava hospedado não quis dar a senha da internet e  que estava indo comprar um modem e cartão  telefônico para ligar para nós.  Um misto de raiva e desespero tomou conta de mim.  Meu filho do outro lado do mundo, sozinho precisava comprar um modem para falar comigo. Puta que pariu... 
Meu pensamento era como as pessoas são insensíveis... 
Está sendo pago $350,00 por semana para ele ficar nesta casa, e ele não pode ter a senha da internet? 
Quando recebemos o email falando os dados da Homestay dizia que tinha internet e era preciso apenas levar o note. 
Perto da meia-noite (horário do Brasil), disse que estava bem e já havia caminhado uns 10km para ir ao Centro onde estava providenciando um forma de ter conexão na internet. 
Eu queria saber pq. a família não deu a senha da internet. Ele explicou que lá as coisas são bem diferentes. Chip  de celular com  muitos créditos é bem barato, já a internet, não é como aqui ilimitada, ela é limitada e cara. Ele terá que pagar +$49,00 para 3h diárias de internet, e as chamadas no skype não poderão ser sempre de vídeo, senão o valor é bem maior. 
Isto não foi esclarecido pela agência.
Após algum tempo ele ligou novamente dizendo que havia comprado o modem e ia voltar para a Homestay . Pediu para eu deixar a Skype conectada que ele me chamava na madrugada.
Na aula meu professor falou a tradução do título de uma música de um músico renascentista que resume meu sentimento:
" No meu rosto é primavera e no coração é inverno" 
Fui dormir....

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O Embarque



Ontem às 13:10 meu filho partiu em busca de seus sonhos...
Quando o abracei  para me despedir foi doloroso...
Como em um filme, passaram muitas cenas na minha cabeça em questão de segundos, desde o nascimento dele, infância, adolescência, etc. Senti uma enorme tristeza por tudo que deixei de fazer para ele, por todos abraços que não dei, por todas brigas bobas que tivemos.
Sabem aquela frase manjada: "Só sabemos o valor daquilo que temos quando perdemos", é isso. 
Achei que ia ser difícil este momento, mas está sendo pior. 
Em 21 anos que convivemos, eu fui mãe e pai. Precisava dar o limite e ao mesmo tempo ser carinhosa. Como eram dois papéis difíceis, deixei a desejar. Alguns momentos onde eu queria aconchegar tinha que fazê-lo forte, não podendo ser exatamente o que eu gostaria de ter sido.

Provavelmente as próximas postagens sejam um tanto depressivas, dramáticas, etc., mas podem ter a certeza que serão extremamente verdadeiras. Este blog trata dos meus sentimentos de  mãe, diante do Intercâmbio do meu filho...
Tem pessoas que me dizem:
- Mas é para o bem dele!!!
Sei disto, e também diria para qualquer mãe que estivesse passando por esta experiência. Acontece que visto de fora é maravilhoso, mas de dentro minha visão é ambígua e complexa. Ao mesmo tempo que racionalmente sei dos benefícios, emocionalmente é muito, mas muito difícil.
A partir de agora vou tentar escrever todos os dias, como um diário de bordo.
Agradeço à todos que estão ao meu lado neste momento e peço desculpas pelo mal jeito.
bjs

domingo, 14 de agosto de 2011

Tá chegando a hora...

Não tem sido fácil os últimos dias... A vontade que tenho é de dizer:
 Pará o trem que eu vou descer...
São noites mal dormidas... Mal estar...
Sensação que  estão me arrancando as pernas. Parece dramático? Talvez seja, mas é como estou sentindo.
  Amanhã à tarde ele embarca... Só aí saberei exatamente como reagir... 

Terça, dia 9/8,  foi o jantar de despedida do Ricardo no Out Back, Restaurante Australiano.



                    
                                                                         

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Sorte?

Acho interessante quando alguém vem com aquele papo... Tu tiveste sorte com teus filhos!
Sorte no dicionário quer dizer: Destino, fado, fatalidade. 
Não tive sorte, a minha relação com meus filhos estão baseadas em dois princípios básicos: AMOR e VERDADE SEMPRE por pior que ela seja.
Estes princípios não fizeram  parte dos ensinamentos que recebi,  e muitas vezes por  não aceitar "Moral de cueca", fui rotulada, como a ovelha negra. Paguei um preço alto por isto, mas não me arrependo e a cada dia percebo que minha atitude foi a correta. 
Não fui, não sou e não serei a mãe perfeita... sou a mãe real, com defeitos e qualidades e com muito amor no coração. Exatamente aquela que é visível aos olhos de todos, sem interpretações teatrais. Esta é a postura de todos aqui em casa.
Houve momentos que pensei em desistir da vida... mas foi este cara chamado Ricardo que não permitiu. Não sei se na época ele tinha consciência disto... Mas devo a minha vida à ele...
Isto sim é sorte... Sorte de ter este "ser" na minha vida.
Então aqui fica um agradecimento público: 
Obrigado... meu filho!!!



Esta é minha família!!!



Estes somos nós... 
Eu, Ricardo Jr, e Marianna... A minha família...
Sonhei com uma família como nos moldes convencionais, que começava com... Era uma vez Papai, Mamãe e filhinhos, e terminava em... viveram  felizes para sempre. 
Obviamente esta idéa não funcionou muito bem... então ela é... Era uma vez, Mamãe e filhinhos...e se amaram para sempre.
 Ricardo  teve a fase da rebeldia na adolescência que foi complicada, pelos nossos conflitos, até eu me dar conta que o que me incomodava, era o fato dele ser TUDO que um dia eu sonhei em ser e não tive coragem, nem competência. Quando isto ficou claro, nossa relação melhorou muito. Hoje aos 21 anos é um ótimo filho, grande amigo, uma das poucas pessoas que confio e a unica que me conhece do avesso. E aí complica... 
A Austrália fica a mais ou menos 21.000 km de distância de Porto Alegre no Rio Grande do Sul, onde moro. Isto é no mínimo, assustador.
Claro que tenho a tecnologia como aliada... mas é virtual.  
Isto bastará ao meu coração de mãe?